Pierre Rabhi

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Nesta entrevista, o agriculturo, escritor e filósofo Pierre Rabhi dá um diagnóstico da saúde e da Terra e diz o que podemos fazer para salvá-la.

Pierre Rabhi fundou em 2007 o Mouvement Colibris, uma proposta nova para agricultura, ecologia e autossuficiência da humanidade.

Para Rabhi, precisamos repensar nossa relação com a Terra. Isso depende de toda uma cadeia que vai do cultivo de alimentos a educação de crianças.

Crédito: Sikana

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O que podemos dizer sobre o mundo é que ele não está muito bem, queira ou não queira.

Ele não vai muito bem porque temos de perceber que o planeta está extremamenta doente.

Tem uma anedota... Imagine que a Terra e outro planeta, vagando pelo espaço sideral, um dia se encontra. O outro planeta olha pra Terra e diz: "Coitada, parece que você está mal, qual é seu problema?" E a Terra responde: "Nem fale... Eu peguei humanidade". O outro planeta diz: "Ah, só pode ser! Eu também tive isso uma época, mas agora estou curada."

Hoje em dia, o planeta está doente da humanidade.

Todos os dias nós a destruímos, nós poluímos as terras que nos alimentam: toneladas de insumos químicos e pesticidas no meio ambiente. A água para consumo se tornou insalubre, o ar que respiramos é tóxico, e a gente continua...

Estamos num processo de auto-eliminação de nós mesmos porque estamos minando e destruindo os pilares que sustentam a vida na Terra.

O panorama ecológico é terrível.

O panorama humano é que a humanidade, estúpida como tem sido, dá mais importância a armas, a destruição, a guerras, etc. A gente tem muito dinheiro pra fazer mísseis, essas coisas estúpidas, mas não existe uma maneira de reflorestar o deserto, acabar com a fome, isso é secundário. A humanidade é imbecil.

O panorama geral a gente pode ouvir numa rádio. A cada dia que passa as novidades não são animadoras. Muito sofrimento, destruição e violência.

A ecologia diz respeito a todo o mundo, ela diz respeito a presidentes, governantes, instituições públicas, os varredores de rua, mas ela é vista como algo subsidiário.

A ecologia deveria estar na consciência coletiva como uma realidade, algo que toca nossas vidas e as vidas das crianças que são o futuro,

mas ela é considerada como uma questão subsidiária.

Aí a gente percebe que nem a humanidade nem o mundo político são inteligentes.

Existe um lugar em que podemos agir para que haja mudança: a educação das crianças.

Por que continuar a educá-las na competitividade? Existe essa ideia de que preparamos crianças para ser um adulto adaptado ao sistema. Desde pequeno, elas são ensinadas a competir em vez de cooperar, em vez de conhecer e amar a natureza.

Hoje em dia, a gente precisa tomar uma nova consciência e a gente precisa pensar em um futuro baseado em verdades inegáveis.

Precisamos da natureza? Sim. Ela precisa de nós? Não. Se pegarmos a história do planeta e adaptarmos esse tempo para 24 horas, nós somos um, dois minutos dessa cronologia. A Terra viveu sem nós até então.

Os transgênicos (OGM) vão trazer a fome para a humanidade. Quando você tem uma semente que não se reproduz, você traz fome para as pessoas. Isso não é alimentar a humanidade. A humanidade se alimentou com uma forma até agora...

Não tivemos que esperar a Monsanto e companhia. Se esse fosse o caso, se a Monsanto fosse a salvação, a humanidade teria acabado.

A situação é dramática.

Monsanto e companhia cometem um atentado contra a humanidade. Os transgênicos vão trazer a fome ao mundo.

As pessoas vão abandonar, esquecer as sementes que a humanidade já conhece, que depois da colheita dão resultado na nova semeadura.

Com os transgênicos você tem uma colheita, mas depois não tem mais, ou tem uma colheita ruim. Os transgênicos são muito mais para trazer fome que alimento à humanidade.

Com sementes, é claro. As sementes ela tem a capacidade extraordinária de se multiplicar. Com um grão de trigo você pode alimentar a humanidade.

Faça a experiência, pegue cinco espigas de trigo. Você tem cerca de 40 a 50 grãos em cada espiga. Veja a multiplicação! Se você tem tudo isso, a forme no mundo não deveria mais existir.

É dessa maneira que a biodiversidade cresceu, se modificou.

O potencial global da humanidade de sobrevivência biológica, em termos alimentares, atinge níveis extraordinários.

Não faz muito tempo, com o mundo moderno vimos a agronomia moderna, as pesquisas, os transgênicos... Mas isso são táticas para tornar populações inteiras dependentes.

Eu, particularmente, sou independente por causa dos grãos que tenho. Desde que sou agricultor, eu faço a colheita, retiro grãos e faço uma nova semeadura. Eu posso fazer isso até o fim dos tempos, nada vai me parar.

A biodiversidade constitui um potencial considerável, mas ele vem sendo eliminado.

Sabe-se que 60% da biodiversidade de vegetais e animais que a humanidade viu se totalizar desde nossas origens já desapareceu.

É uma estratégia : elimina-se o aquilo que dá autonomia às pessoas, isto é, reproduzir o seu alimento, porque é preciso criar espaços de lucro para essas empresas. É quimérico: é sedutor, mas é uma piada.

Isso é um crime contra a humanidade.

Confisca-se a capacidade da humanidade de ser independente, de responder às necessidades por meios próprios, para que ela se torne dependente de empresas cujo único objetivo é vender. É abjeto.

Tudo é manipulado para que essas empresas possam produzir livremente. Tudo é amarrado para que a humanidade se torne completamente dependente das empresas.

Confisca-se da humanidade a liberdade que ela tinha de manter a continuidade da vida de pai pra filhos, de mãe pra filhos.

Tem um hiato, uma interrupção voluntária e estratégica da capacidade humana de que ela mesma responda às suas necessidades.

É uma iniciativa fundamental e essencial. Ela diz respeito a absolutamente todo o mundo, é uma questão de vida ou morte da nossa civilização e história. É muito importante apoiar ações desse tipo.

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