Idrissa Diene | Entrevistas

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Nessa entrevista, Idrissa Diene, que vive no Senegal, explica a relação entre agricultura sustentável e espaços urbanos.

Esta entrevista faz parte do programa de agricultura biointensiva da Sikana, uma série de vídeos que dão instruções básicas sobre esse método de cultivo sustentável.

Diene é membro da Oasis GrowBiointensive, uma organização sediada na cidade de Keur Massar, próximo a Dakar, onde também estão sediados centro de capacitação e formação para aprendizado no agricultura biointensiva.

Crédito: Sikana

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IDRISSA DIENE

Membro da Oasis GrowBiointensive - ONG de Ecologia

Meu nome é Idrissa Diene. Eu vivo no Senegal e trabalho com a associação Oasis GrowBiointensive, Essa organização fica na cidade de Keur Massar, próximo a Dakar, onde também estão sediadas nosso centro de capacitação e formação. Keur Massar é uma zona de produção hortifruti.

POR QUE ATUAR NA AGRICULTURA?

Na África, especialmente no Senegal, um país cuja grande parte do consumo é importada. Precisamos desenvolver a agricultura local para termos uma alimentação sustentável ou a autossuficiência alimentar. Isto é, consumir o que produzimos e produzir o que consumimos, Isso é um desafio para todos os países que querem a soberania alimentar. Este é o caso do Senegal

Sou filho de agricultores, eu aprendi trabalhando. Nunca estudei isso, sou assistente social de formação.

Mas dado o contexto, eu me dedico de verdade a isso para confrontar esse desafio.

QUAIS SÃO AS DIFICULDADES NESSE CASO?

No Senegal, o problema da terra é sério, particularmente na região do Dakar. A urbanização é um fenômeno selvagem, é uma verdade, porque as pessoas não pensam em moradia, em construção. Vai chegar o momento em que não teremos espaço para produzir e tudo será importação. Será um círculo vicioso de dependência e queremos lutar contra isso. Tudo que acontece em nível urbano deve

Eu acredito que todo espaço urbano deve servir também à agricultura biointensiva. Na minha opinião, isso não diz respeito somente à região do Dakar. Com a descentralização, o controle das terras é feito por comunidades locais, não existe controle do Estado. Os estrangeiros tem dinheiro e eles compram a terra para explorar. É o agrobusiness.

Como dizia François Peroux, o desenvolvimento é o conjunto de efeitos sociais e mentais em uma população que conseguiu estimular um crescimento real e global de sua produção.

É preciso agir na mentalidade das pessoas, sensibilizá-las, expor o que pode ser feito.

Quando falo com as pessoas e convido-as para um domingo em casa, e quando elas veem o que eu produzo, e que esses produtos a gente come juntos, sem ter de comprá-los, elas percebem que é uma maneira sadia e inteligente de produzir.

Quem cultiva naturalmente [seu próprio alimento] tem uma saúde melhor, e as pessoas percebem isso também. Isso é realidade, não é sonho.

O dinheiro serve pra quê? Qual a finalidade? Se a gente tem contêineres de dinheiro, mas não temos o que comer, nada pra comer. Esse dinheiro não tem finalidade. Acho que é preciso produzir o que comemos e comer o que produzimos. Necessitamos de investimento na pesquisa científica. Na África, digo, no Senegal, temos outras necessidades: saúde e educação, mas o orçamento de todos os senegaleses é destinado a alimentação

PORQUE É IMPORTANTE COMPARTILHAR O CONHECIMENTO?

Vivemos em uma aldeia global. Acho que nesse mundo concebido como uma aldeia, hoje, o mais importante é a solidariedade. E um dos elementos pivôs disso é a partilha.

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